quinta-feira, 15 de março de 2012

Um projeto que vem de longe!

As vezes pensamos em realizar um projeto de montagem de um espetáculo, mas nem sempre, acontece da maneira e no tempo em que desejamos. No momento em que surge o desejo de realizar o trabalho acreditamos que tudo será como pensamos rápido e sem dor.
 Foi assim quando tive contato com o texto "Um uisque para o Rei Saul" de Cézar Vieira, em Brasilia no final dos anos 80.
Do momento que fui tomado pelo texto e pelo desejo de montar, muitos, muito tempo passou...
A primeira batalha foi ter o texto em minhas mãos(...)
 A segunda foi (re)ler tanto tempo depois e ainda com resto da memória do primeiro encontro...
Essa "nova" leitura reafirmou meu desejo de montagem, foi então que passamos para a sala de ensaio.
 Hoje estamos em meio ao processo de montagem e com esta publicação, inicio o compartilhar desse projeto.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Para que ninguém esqueça, que não fizemos nada!

Na montagem dos desaparecidos não vamos recosntituir a história das crianças do Planalto, nem resolver este caso. Vamos contar para que ninguém esqueça o que aconteceu, para que todos lembrem que não fizemos nada para ajudar! Nas nossas pesquisas encontramos esta canção do grupo Mana
 
Desaparições

Alguém me diga se viu meu marido

Perguntava a Dona

Se chama Ernesto X, tem 40 anos

Trabalhava de zelador, em um negocio de carros

Estava de camisa escura e calça clara

Saiu a noite e não regressou

E não sei o que pensar

Pois isto não tinha acontecido antes

Ooo...



A três dias

Procuro minha irmã

Se chama Altagracia

Igual a avó

Saiu do trabalho para a escola

Estava de jeans e camisa clara

Não foi o noivo, o cara está em casa

Não sabem dela no PSN nem no hospital

Ooo...



Alguém me diga se viu meu filho

É pré estudante de de medicina

Se chama Agustín e é um bom garoto

Às vezes é tinhoso quando opina

O deteram, não sei se à força

Calça clara e camisa listradas

Foi anteontem



(Coro)

Para onde vão os desaparecidos?

Procure na água e nos matagais

E por que é que desaparecem?

Porque todos não somos iguais

E quando voltam os desaparecidos?

Cada vez que traz de volta em seu pensamento

Como se fala ao desaprecido?

Com a emoção apertando por dentro

Oh...



Clara, clara, clara quiñones se cha minha mãe

Ela é, ela é uma alma de Deus

Não se mete com ninguém

E a levaram como testemunha

Por um assunto que não tem mais nada comigo

E fui entregar-me ontem pela tarde

E agora dissem que não sabem quem a levou

Do quartel

De note escuto várias explosões

Patún pata patún pete

Tiros de escopeta e de revolver

Carros acelerados freios e gritos

Eco de botas na rua

Bater na porta para pagar o pato

Estava passando uma telenovela

Por isso ninguém olhou para fora



(Coro)

Para onde vão os desaparecidos?

Procure na água e nos matagais

E por que é que desaparecem?

Porque todos não somos iguais

E quando voltarão os desaparecidos?

Cada vez que traz de volta em seu pensamento

Como se fala ao desaprecido?

Com a emoção apertando por dentro






Um processo que de construção que dá medo!

Quando iniciamos o processo de trabalho "Desaparecidos" não imaginavamos que entrariamos em um "espaço" tão delicado, assustador e apaixonante. Desaparecidos, parte de um acontecimento real entre os anos de 1998 e 2002, quando cinco crianças desapareceram de suas casas durante à noite no bairro Planalto, na periferia da cidade do Natal-RN. hoje 14 anos após o primeiro desaparecimento, pouco se sabe, apenas, que estão DESAPARECIDOS. Partindo deste acontecimento mergulhamos na "palavra" desaparecidos e começamos nosso processo de improvisação e levantamento da montagem teatral.
 Temos como parceiro nessa jornada o dramaturgo Fábio do Espiríto Santo que tem a ardua tarefa de transpor para o papel as ideias e improvisos que fazemos. (com um detalhe: ele reside no RJ e nós no RN).