As vezes pensamos em realizar um projeto de montagem de um espetáculo, mas nem sempre, acontece da maneira e no tempo em que desejamos. No momento em que surge o desejo de realizar o trabalho acreditamos que tudo será como pensamos rápido e sem dor.
Foi assim quando tive contato com o texto "Um uisque para o Rei Saul" de Cézar Vieira, em Brasilia no final dos anos 80.
Do momento que fui tomado pelo texto e pelo desejo de montar, muitos, muito tempo passou...
A primeira batalha foi ter o texto em minhas mãos(...)
A segunda foi (re)ler tanto tempo depois e ainda com resto da memória do primeiro encontro...
Essa "nova" leitura reafirmou meu desejo de montagem, foi então que passamos para a sala de ensaio.
Hoje estamos em meio ao processo de montagem e com esta publicação, inicio o compartilhar desse projeto.
Espaço para o registro de anotações de dúvidas, descobertas e buscas teatrais...
quinta-feira, 15 de março de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
Para que ninguém esqueça, que não fizemos nada!
Na montagem dos desaparecidos não vamos recosntituir a história das crianças do Planalto, nem resolver este caso. Vamos contar para que ninguém esqueça o que aconteceu, para que todos lembrem que não fizemos nada para ajudar! Nas nossas pesquisas encontramos esta canção do grupo Mana
Desaparições
Alguém me diga se viu meu marido
Perguntava a Dona
Se chama Ernesto X, tem 40 anos
Trabalhava de zelador, em um negocio de carros
Estava de camisa escura e calça clara
Saiu a noite e não regressou
E não sei o que pensar
Pois isto não tinha acontecido antes
Ooo...
A três dias
Procuro minha irmã
Se chama Altagracia
Igual a avó
Saiu do trabalho para a escola
Estava de jeans e camisa clara
Não foi o noivo, o cara está em casa
Não sabem dela no PSN nem no hospital
Ooo...
Alguém me diga se viu meu filho
É pré estudante de de medicina
Se chama Agustín e é um bom garoto
Às vezes é tinhoso quando opina
O deteram, não sei se à força
Calça clara e camisa listradas
Foi anteontem
(Coro)
Para onde vão os desaparecidos?
Procure na água e nos matagais
E por que é que desaparecem?
Porque todos não somos iguais
E quando voltam os desaparecidos?
Cada vez que traz de volta em seu pensamento
Como se fala ao desaprecido?
Com a emoção apertando por dentro
Oh...
Clara, clara, clara quiñones se cha minha mãe
Ela é, ela é uma alma de Deus
Não se mete com ninguém
E a levaram como testemunha
Por um assunto que não tem mais nada comigo
E fui entregar-me ontem pela tarde
E agora dissem que não sabem quem a levou
Do quartel
De note escuto várias explosões
Patún pata patún pete
Tiros de escopeta e de revolver
Carros acelerados freios e gritos
Eco de botas na rua
Bater na porta para pagar o pato
Estava passando uma telenovela
Por isso ninguém olhou para fora
(Coro)
Para onde vão os desaparecidos?
Procure na água e nos matagais
E por que é que desaparecem?
Porque todos não somos iguais
E quando voltarão os desaparecidos?
Cada vez que traz de volta em seu pensamento
Como se fala ao desaprecido?
Com a emoção apertando por dentro
Um processo que de construção que dá medo!
Quando iniciamos o processo de trabalho "Desaparecidos" não imaginavamos que entrariamos em um "espaço" tão delicado, assustador e apaixonante. Desaparecidos, parte de um acontecimento real entre os anos de 1998 e 2002, quando cinco crianças desapareceram de suas casas durante à noite no bairro Planalto, na periferia da cidade do Natal-RN. hoje 14 anos após o primeiro desaparecimento, pouco se sabe, apenas, que estão DESAPARECIDOS. Partindo deste acontecimento mergulhamos na "palavra" desaparecidos e começamos nosso processo de improvisação e levantamento da montagem teatral.
Temos como parceiro nessa jornada o dramaturgo Fábio do Espiríto Santo que tem a ardua tarefa de transpor para o papel as ideias e improvisos que fazemos. (com um detalhe: ele reside no RJ e nós no RN).
Temos como parceiro nessa jornada o dramaturgo Fábio do Espiríto Santo que tem a ardua tarefa de transpor para o papel as ideias e improvisos que fazemos. (com um detalhe: ele reside no RJ e nós no RN).
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